“Eduque os meninos e não será preciso castigar os homens.” (Pitágoras)
Este artigo nasceu da necessidade de compartilhar com o mundo crenças em torno do que seja a relação pais e filhos na atualidade, onde as responsabilidades profissionais se agigantam e o tempo de convivência com a família fica cada vez menor.
Nestes anos de vida profissional, ouvimos de diversos pais frases do tipo: “Trabalhei tanto, com tanta intensidade que não vi meus filhos crescerem”; “Meu filho cresceu e eu não consegui brincar com ele”; “Meu filho está nas drogas faz anos e só agora eu percebi”; “Meu filho tentou suicídio apesar de todo o luxo e comodidade que ele possui em casa”; “Minha filha me culpa por eu não ter dado atenção a ela em seus problemas e anseios”.
Apesar de todas as mudanças no contexto social, a família ainda continua a ser a célula mater da sociedade e uma das principais fontes de afetividade de todos os seres humanos. Nossos filhos precisam da nossa atenção e carinho, precisam sentir-se amados e respeitados, precisam de pais prestimosos, carinhosos e atuantes. Precisam de disciplina na medida certa. De nada adianta adquirir fortuna e respeito profissional, à custa do amor e do bem-estar do filho.
Como profissionais, procuramos usar alguns termos utilizados pelos executivos em suas empresas para servir como analogia e elucidar questões relativas ao nosso dia-a-dia. Para isto, tomamos emprestados dois conceitos conhecidos do mix de marketing: Marca e Propaganda e suas ferramentas, para direcionar os pais em suas ações.

Marca: O Valor da Marca Pai e Mãe
“Não olhes para longe, despreocupando-se do que tens perto.” (Eurípedes)
Uma instituição deverá ter uma marca forte. De acordo com o ramo de atividade em que atue, ela precisará se diferenciar no seu mercado. Para que isto aconteça, milhões são gastos em propaganda e marketing. Profissionais competentes pesquisam, exaustivamente, slogans, símbolos e logotipos, uma palavra ou ideia principal que os faça chegar mais rápido na mente do seu público-alvo.
Você já parou para pensar no valor da marca pai e mãe na mente do seu filho?
Papai e mamãe geralmente são as primeiras palavras que um filho aprende a falar, ele se acostuma com esta identidade sonora já nos primeiros dias de sua vida. Ao longo da sua infância e adolescência, ele vai proferi-las milhares de vezes.
Vale afirmar, então, que Pai e Mãe são as marcas mais conhecidas do mundo.

Expectativas com o produto
Uma marca começa a desmoronar na mente do consumidor quando a linha de produtos que a representa passa a não atender às suas necessidades. Queda na qualidade, constantes atrasos na entrega, falta de inovação tecnológica, preço desproporcional ao benefício estendido são fatores que interferem diretamente no poder soberano de escolha do cliente. Como estamos tratando os nossos filhos? Lembre-se: se você não for o primeiro na mente do seu filho, alguém vai ser!
Os pais de hoje em dia estão sendo consumidos pelo trabalho, passam, muitas vezes, 12 horas em suas atividades profissionais e quando chegam à sua casa estão no limite da sua condição física e emocional.
Os pais, em sua maioria, tendem a deixar a responsabilidade da criação dos filhos nas “costas” da mãe, mesmo que ela trabalhe as mesmas 12 horas como ele.
Tão moderno em suas atitudes na empresa, mas em casa, pratica ainda aquele regime patriarcal dos seus avós. É um peso enorme para ele brincar ou conversar um pouco com o seu filho. Na menor contrariedade, foge para a televisão, vai para o computador e se isola. Com estas atitudes vai-se perdendo a referência, os filhos percebem a falta de interesse, sua inabilidade em tratar com eles, em interagir de modo saudável no seu mundo e, muitas vezes, procuram em padrões externos o exemplo que os pais deveriam dar em casa.
Começa-se a deixar de ser o primeiro na mente do nosso amado consumidor!
Vamos comentar nestes parágrafos alguns aspectos da figura materna. Não obstante seu valor na sociedade capitalista, seu apurado senso de organização, sua criatividade e sua franca ascensão no mercado de trabalho, a mulher, a meu ver, não deve, contudo, fugir dos sagrados laços de responsabilidade para com a maternidade, apesar da dificuldade em unir as duas coisas, ser uma boa mãe ainda deve ser a prioridade. Muitas mulheres conseguem conciliar a carreira com a função sublime de ser mãe. Não é fácil, mas é preciso.
O mundo nunca precisou tanto do amor de mãe exercido dentro do lar. Não importa aqui a quantidade do tempo despendido, e sim, a qualidade do tempo que se passa com os filhos. Conforme um provérbio judaico: “Deus não pode estar em todos os lugares, por isso fez as mães”.
Conheço mães admiráveis que trabalham muito – algumas são grandes executivas, outras são profissionais liberais ou operárias em fábricas – e que possuem filhos maravilhosos e gratos. Filhos que reconhecem o esforço materno em conciliar as duas coisas e retribuem em carinho, cidadania, amor e senso de responsabilidade.
Conheço, também, pais amorosos e prestimosos, que apesar de trabalharem muito, conseguem manter a sua marca na mente do seu filho. Pais atuantes, que usam a disciplina na medida certa, que são grandes amigos dos seus filhos. Pais que, por motivos de separação conjugal, não convivem no mesmo lar, mas que não deixam seus pupilos sem atenção e amor um dia sequer.

Propaganda

Existem pais que não conseguem expressar amor por seus filhos. Alguns trazem marcas do passado em seu subconsciente, heranças de pais austeros e inflexíveis, outros possuem uma grande timidez e não expressam seus sentimentos.
O mundo nunca precisou tanto que os pais expressem amor por seus filhos.
Nossa sociedade passa por uma fase de materialismo excessivo e profundo desamor. Escândalos sucedem escândalos, abrimos o jornal e pensamos estar lendo notícias repetidas, nos perguntamos: qual será o novo atentado terrorista do dia, quantos mortos hoje em algum país do Oriente Médio? Os políticos (expressão da sociedade em que vivemos) nos surpreendem todos os dias com seu incrível poder de legislar em causa própria, em detrimento das responsabilidades assumidas perante os seus eleitores.
Estamos nos desumanizando todos os dias em doses homeopáticas. Estamos nos acostumando com a crueldade. Diante do exposto, o que pode mudar isto? O amor dos pais por seus filhos!
É de dentro do lar que vão sair os bons valores para a sociedade. Muitas vezes, apenas um “Eu te amo, meu filho!” pode representar uma mudança de atitude dele diante de uma situação externa em que não poderíamos estar por perto para acompanhá-lo.
Todos os pais amam os seus filhos incondicionalmente! Então por que não expressar este amor em palavras e gestos?
Existe um jargão no marketing sobre a propaganda, que afirma: “Quem não é visto não é lembrado”. É exatamente isto que anda acontecendo em muitos lares do mundo.
Temos um amor latente dentro do peito e devemos expressá-lo aos filhos. Vamos demonstrar este sentimento em gestos, palavras e atitudes. Abraçar, beijar, brincar, falar palavras de encorajamento, acarinhar. Tudo isto faz parte da nossa missão como pais. Não importa se ele ainda está no ventre de sua mãe ou se é aquele adolescente que “morre de vergonha” de demonstrar sentimentos na frente dos colegas. Quebre você a barreira, mostre-se, revele seu amor para o seu filho, só assim você vai poder sentir toda a grandeza e beleza de ser pai.

Exposição do filho a outros tipos de propaganda
“Não há nem ervas daninhas nem homens maus. Há apenas maus cultivadores.” (Victor Hugo)
Vivemos em uma sociedade onde milhões de informações chegam até nós todos os dias. Nossa mente é seletiva e de forma automática e genial realiza uma triagem dos assuntos que nos interessam. Através deste recurso maravilhoso, conseguimos ter um pouco de foco em nossas ações e atitudes. Não fosse por este filtro que a evolução das espécies nos delegou, ficaríamos loucos com tantas informações chegando ao mesmo tempo. Estamos constantemente influenciando ou sendo influenciados por alguém ou algo todo o tempo.
Geralmente, pensamos que estamos pensando, mas estamos sendo pensados!
A memória seletiva da qual falamos ainda está em formação em nossos filhos. Eles estão sujeitos a ser influenciados todos os dias pelas notícias boas ou ruins dos diversos meios de comunicação, pelos amigos sinceros ou pelos amigos de ocasião, pelos bons ou maus professores, pelos namorados de boa ou má índole, enfim, desde a sua infância, nosso filho terá de optar por caminhos a seguir.
Propaganda enganosa é algo que vemos com frequência em nossas vidas e nas vidas dos que nos acompanham nesta jornada terrena. Apelo às drogas lícitas ou ilícitas, materialismo excessivo, libertinagem e outras mazelas humanas nos são vendidas geralmente como um “maná dos deuses”, como algo maravilhoso que precisamos urgentemente adquirir.
Nós não podemos apartar nosso filho do mundo, mas podemos orientá-lo em sua jornada, esta é uma obrigação dos pais.
O diálogo com amor, atenção e compreensão é o maior recurso de que os pais dispõem para combater os males da propaganda enganosa na mente dos seus pupilos.
Não vale aquela conversa rápida e sem conteúdo que os adolescentes adoram nos impor, também não vale o monólogo, onde só os pais falam, muitas vezes com broncas e ofensas pessoais que, além de não resolverem o problema, terminam por causar outros maiores ainda. Falo aqui de um diálogo, ou seja, o emissor da mensagem fala e o receptor escuta, para só depois dar a sua opinião.
Nossa mensagem, nossa propaganda pessoal, os valores que queremos passar aos nossos filhos devem ser ministrados todos os dias em doses pequenas, através de uma boa e amigável conversa, para que isto aconteça de forma satisfatória. Os pais têm a obrigação de se manter atualizados com o mundo em que vivem no geral e com o mundo dos filhos em particular.
Alguns pais são gestores de milhares de colaboradores em suas empresas, tomam decisões importantes todos os dias, possuem uma capacidade admirável de influenciar pessoas, porém, são incapazes de encontrar um melhor momento para o diálogo com os filhos.
Conheço uma grande executiva que quando chega à sua casa, após um dia longo de trabalho e por dispor de um mínimo de tempo para usufruir com seus quatro filhos, combinou com eles que, durante uma hora, não se deve ligar nenhum aparelho eletrônico, nada de TV ou computador. Todos têm de se dirigir para a sala e, durante aquele precioso tempo, a família vai dialogar sobre o dia que tiveram e curtir bons momentos juntos.
Outra sugestão é fazer um planejamento das atividades semanais com os seus filhos. Consiste em inventar situações de convivência agradáveis em família, com o objetivo de criar memórias de reforço positivo nas crianças.
Por exemplo: segunda-feira pode ser instituída o “dia da música em família”. Na terça-feira, o dia do “vídeo com as crianças”. Na quarta, “o Dia da leitura”. O importante é fazer planos variados, mas fixos, para cada dia da semana. Meia hora ou uma hora por noite é suficiente para estas atividades, as quais, certamente, irão melhorar o relacionamento familiar e a comunicação entre pais e filhos.
Vamos usar da criatividade que tantas vezes nos é pedida em nossas atividades do dia-a-dia, para que possamos programar em nossos lares, momentos de parceria, amizade, ensinamentos e bons exemplos.
O exemplo dos pais deve ser a melhor propaganda para os filhos, pois assim como o cliente, o filho só compra uma ideia ou aceita um conselho se o testemunho for verdadeiro.
Filhos são os nossos companheiros de viagem. Que possamos sair desta leitura mais fraternos, amorosos e cientes das nossas responsabilidades. Vamos aprender juntos a conquistar, manter e fidelizar o amor destes eternos amigos.

*Paulo Pio é consultor de marketing e autor dos livros
Plano de Marketing para Pais Ocupados e ABC da Reforma Íntima.