

Os filhos aprendem muito mais observando os pais do que ouvindo seus sermões. Por isso tenha muito cuidado com o que diz e o que faz quando seus filhos estiverem por perto porque, queira ou não, é observando os pais que eles aprendem. Pensando assim, sugerimos algumas dicas importantes para o sucesso da arte de bem educar.

• Aja de maneira consciente
Aposto que vocês, pais, já pensaram muito sobre o que gostariam que seus filhos se tornassem, mas, provavelmente, não dedicaram o mesmo tempo para pensar no que deveriam estar fazendo para que isso, de fato, venha a acontecer.
Você quer, por exemplo, que sua filha de 10 anos se saia bem na escola, mas talvez não tenha noção do que deve fazer para que ela obtenha sucesso nos estudos.
Ou talvez você deseje que seu filho caçula conviva bem com as outras crianças, mas não sabe o que fazer para que isso aconteça. Você quer que seus filhos sejam
intelectualmente curiosos, mas não tem a menor ideia de como deveria proceder para estimulá-los nessa direção.
O objetivo deste “Conversando com os Pais” é colaborar com os pais em sua função de educar os filhos, transmitindo-lhes informações e orientações provenientes de milhares de pesquisas que, aplicadas na prática, produziram excelentes resultados.
No entanto, antes de abordar temas específicos, vamos estabelecer a diferença entre uma mãe e um pai conscienciosos e aqueles que simplesmente seguem modismos e reagem ao que os filhos fazem. Quando falamos em mãe e pai “conscienciosos”, estamos nos referindo àqueles que agem conscientemente e obtêm os resultados que, de fato, buscavam, e não resultados que aconteceram apenas por acaso.
• Pais: esforcem-se para ser conscienciosos.
Os atos conscienciosos podem perfeitamente ser espontâneos, sinceros ou naturais. Ter uma atuação conscienciosa não significa angustiar-se a cada decisão tomada ou analisar a fundo cada um dos seus comportamentos com seus filhos a ponto de paralisar-se. O que queremos dizer é que a maneira como os pais tratam seus filhos e reagem a eles deveria ser o resultado de um conhecimento maior e de um raciocínio inteligente e sensato sobre o que pretendem conseguir. Exercer a
função de mãe ou de pai é algo que deve ser feito com amor e entusiasmo, mas que requer preparo. É incrível constatar que, para exercer qualquer profissão, estudamos e nos preparamos durante anos e, no entanto, exercemos a mais preciosa das profissões – criar filhos – na base do improviso ou do que aprendemos com nossos pais. Acabamos, muitas vezes, reproduzindo comportamentos de que nos queixamos e que nos deixaram marcas dolorosas.
• Em geral, os pais se encontram em uma destas três situações. Qual é a sua?
1. A primeira é aquela em que eles têm bastante tempo para pensar no que querem fazer, antes de agir. É o melhor momento para serem conscienciosos*. Talvez você procurou escolher várias escolas de educação infantil para sua filha de dois anos, talvez esteja pensando se obriga seu filho adolescente a continuar com as aulas de reforço, embora ele já tenha dito que quer parar. Você pode estar se perguntado se sua filha já tem idade suficiente para sair com as amigas à noite ou se seu filho adolescente já é suficientemente responsável para pegar um emprego de meio expediente durante o ano letivo. Você pode estar tentando decidir como responder ao pedido de uma mesada semanal, de permissão para colocar um
piercing ou para comprar uma roupa de grife que lhe parece totalmente desnecessária.
Em todos esses exemplos, você deveria aproveitar a oportunidade para, de fato, refletir antes de tomar uma decisão. Pergunte-se: como será que a minha atitude afetará meus filhos? Os pais conscienciosos – aqueles que, antes de agir, realmente refletem sobre o que desejam conseguir – poderão analisar mais profundamente o problema e até pedir orientação ou discutir com outros pais para, então, decidir, com mais segurança, o que é melhor para a vida de seus filhos.
Assim, a decisão não corre o risco de ser impulsiva.
2. A segunda situação é aquela em que os pais precisam reagir na hora, sem muito tempo para pensar antes de responder ou agir. Sua filha de dois anos recusa-se a comer o que lhe foi servido no jantar. Seu filho de seis anos foi suspenso pela segunda vez da escola. Sua filha de doze anos telefona para o seu trabalho e pergunta se, depois da aula, ela e uma
amiga podem ir ao shopping de ônibus. Seu filho adolescente chega em casa de uma festa e conta que os outros jovens estavam bebendo. Nessas ocasiões, é impossível dizer: “Será que posso lhe dar uma resposta amanhã?”. Mas você pode pensar uns segundos antes de responder e, quanto mais informações tiver, mais fácil será a reação.
Nesses tipos de situação, pais conscienciosos conseguirão não reagir impulsivamente (“Coma tudo o que estiver no seu prato, senão você não vai comer sobremesa”; “Se for suspenso mais uma vez, não viajará conosco nas férias”; “Não, você ainda é muito criança para andar sozinha”; “Você está proibido de se encontrar com esse pessoal outra vez”). Pais conscienciosos poderão analisar a situação e reagir de acordo com os princípios que vamos discutir neste texto.
3. O terceiro tipo de situação é aquela em que os pais não têm tempo para pensar, e a única opção é seguir os próprios impulsos. Seu bebê está esperneando e gritando na seção de congelados do supermercado. Seu filho de sete anos está prestes a estrangular o irmão de cinco. Seu filho de nove anos está tão ansioso com a ida para a escola que não consegue se vestir, embora o transporte vá chegar a qualquer minuto. Você se levanta no meio da noite para pegar um copo de água e sente cheiro de cigarro vindo do quarto de seu filho adolescente.
Nessas situações, pais conscienciosos reagiriam impulsivamente, mas, com toda a probabilidade, seus instintos estariam corretos, porque já conhecem os princípios básicos e os vêm empregando muitas vezes. A aplicação frequente desses princípios cria uma sabedoria que permite que ajam de forma adequada em situações críticas.
Os superatletas apresentam um bom desempenho porque treinaram muito. Da mesma forma, as pessoas que realmente assimilaram as regras básicas para serem bons pais são capazes de agir da melhor maneira, mesmo quando não têm tempo para encontrar uma resposta lógica.
Quanto mais você se esforçar para, deliberadamente, praticar os princípios, mais instintivo será o seu desempenho. Por isso é importante começar a praticar quando seus filhos ainda são pequenos. Isso não significa que não haja benefícios quando os filhos são mais velhos – nunca é tarde para melhorar –, mas, seguramente, você dará uma base emocional
sólida a seus filhos se praticar os princípios desde o seu nascimento.
Voltamos a dizer: não passaria pela sua cabeça dirigir um negócio ou supervisionar uma organização sem um preparo especial. Você não tomaria – nem deveria tomar – decisões sobre as finanças impulsivamente. Sabemos que, antes de efetuarmos compras importantes, como casas, carros e eletrodomésticos, devemos examinar e analisar com atenção todas as nossas opções. No entanto, muitas pessoas – empresários atentos, excelentes planejadores financeiros e consumidores inteligentes – exercem a função fundamental de criar seus filhos sem jamais parar para pensar no que estão fazendo. Algumas pessoas acreditam que o exercício da função de pai ou de mãe seja algo que se faz naturalmente e que não vale a pena pensar sobre isso. Porém, para falar a verdade, raramente existem pais “naturais”. Existem pais que têm consciência do que fazem e pais que improvisam. Os resultados com os filhos são bastante distintos. Quando você age de maneira consciente, seus filhos provavelmente são mais bem ajustados e felizes, trazendo alegria para toda a família.
* Consciencioso: adj. quem tem consciência, delicado, cuidadoso.